Desvalorização é o custo invisível do carro: o que ele perde de valor entre a compra e a venda. Em 2026 há dois mundos bem diferentes, e vale conhecer os números antes de escolher.
Combustão, híbrido e elétrico: três velocidades
O índice IBV Auto mediu quanto os carros lançados em 2023 valiam em junho de 2026, três anos depois:
| Tipo | Perda de valor em 3 anos (lançados em 2023) | Lançados em 2022 (4 anos) |
|---|---|---|
| Combustão | -19,6% | -13,2% |
| Híbrido | -26,1% | -19,3% |
| Elétrico | -46,1% | -50,5% |
No mercado de usados como um todo, o Índice Webmotors registrou queda de 3,9% no preço médio em 2025, enquanto os eletrificados (elétricos e híbridos) caíram 12%. Ou seja: o carro a combustão é o que mais segura valor, e o elétrico é o que mais perde, principalmente nos primeiros anos.
Entre os elétricos, a diferença é enorme
O levantamento Webmotors/Autoesporte de julho de 2026 mostrou a variação em 12 meses, modelo a modelo:
Os que menos perderam: Geely EX2 (-0,1%), Leapmotor C10 (-0,5%), Chevrolet Spark EUV (-3,3%), GAC Aion Y (-3,4%), MG4 (-4,5%), BYD Yuan Pro (-6,0%), BYD Dolphin (-6,7%), GAC Aion V (-6,8%), Volvo EX30 (-8,0%), Chevrolet Captiva EV (-9,1%).
Os que mais perderam: JAC E-JS4 (-50,4%), JAC E-J7 (-38,8%), Mini Cooper elétrico (-31,0%), BYD Seal (-24,7%), Mini Aceman (-24,0%), Zeekr X (-21,5%), JAC E-JS1 (-21,5%), Renault Megane E-Tech (-21,4%), Omoda E5 (-12,9%), Geely EX5 (-11,1%).
O padrão: modelo recém-lançado com preço agressivo e rede em expansão segura valor; modelo de marca com rede pequena, ou que teve corte de preço no zero-quilômetro, despenca no usado.
Entre os carros a combustão
Os usados a combustão mais procurados caíram mais que a média em 12 meses até agosto de 2026, segundo a Auto Avaliar: Jeep Compass (-15,7%), Renegade (-13,8%), Chevrolet Tracker (-13,5%), Ford Ranger (-11,8%) e Corolla Cross (-11,8%). São modelos que venderam muito novo entre 2022 e 2024 e agora chegam ao usado em volume, o que derruba o preço. É boa notícia para quem compra um deles usado em 2026.
Os que costumam segurar melhor são os de maior liquidez e peça barata: Gol, Onix, HB20, Corolla e Civic aparecem nas listas dos mais vendidos e dos mais buscados ano após ano, e por isso encontram comprador rápido, com desconto pequeno sobre a tabela.
O que segura o valor de um carro específico
- Histórico limpo nas bases. Passagem por leilão, sinistro e muitos donos derrubam o preço de revenda mais que qualquer opcional. A consulta pela placa mostra os três.
- Revisões comprovadas e quilometragem na média (cerca de 12 mil km por ano).
- Cor e versão comuns. Branco, prata e preto vendem mais rápido que cores raras; versão intermediária vende mais que a básica e a topo.
- Modelo que continua em linha. Carro descontinuado perde revenda com o tempo.
Como usar isso na compra
Se você troca de carro a cada dois ou três anos, a desvalorização é o seu maior custo, e o carro a combustão de modelo líquido é o que menos custa nesse item. Se vai ficar oito anos com o carro, a desvalorização importa menos e o custo de rodar, mais: aí o elétrico usado, já com a grande queda absorvida pelo primeiro dono, começa a fazer sentido, desde que a bateria esteja saudável.
Perguntas frequentes sobre desvalorização
Qual tipo de carro desvaloriza menos?
O carro a combustão: -20% em três anos para os lançados em 2023, contra -26% dos híbridos e -46% dos elétricos (IBV Auto, junho de 2026).
Qual elétrico menos desvalorizou em 2026?
Pelo levantamento Webmotors/Autoesporte, o Geely EX2 (-0,1% em 12 meses), seguido de Leapmotor C10 e Chevrolet Spark EUV.
O que mais derruba o valor de revenda de um carro?
Histórico de leilão, sinistro e muitos donos, quilometragem acima da média e falta de revisões comprovadas. A consulta pela placa mostra os três primeiros.