Mercado de usados bate recorde: 18,5 milhões em 2025, 12,5 milhões até agosto de 2026, os mais vendidos e os mais buscados
O Brasil transferiu 18,5 milhões de usados em 2025 e 12,5 milhões até agosto de 2026. Os mais vendidos, os mais buscados, os preços e o que conferir antes de comprar.
Publicado em 19/09/2026 · atualizado em 23/09/2026 · 7 min de leitura · por Averiga
O usado nunca vendeu tanto. Segundo a Fenauto, a federação das revendas, o Brasil transferiu 18.508.929 veículos usados em 2025, um crescimento de 17,3% sobre 2024 e o recorde da série histórica, que começa em 2011. Só em dezembro foram 1,77 milhão. E 2026 segue no mesmo ritmo: de janeiro a agosto foram 12.532.488 transferências, 6,4% acima do mesmo período de 2025, e a federação espera fechar o ano com novo recorde.
Quantos carros usados foram vendidos em 2026 até agosto
Em agosto de 2026 a Fenauto contou 1.699.519 trocas de propriedade, 3,1% a menos que em julho; descontada a diferença de dias úteis entre os dois meses, o resultado foi de alta de 1,5%. No acumulado, o salto veio dos seminovos (carros de zero a três anos de uso), com crescimento de 13,5% sobre 2025. Parte disso é carro de locadora e de frota sendo renovado: a empresa troca o carro novo a cada poucos anos e o anterior vai para o mercado de usados.
Período
Transferências de usados
Comparação
Ano de 2025
18.508.929
+17,3% sobre 2024 (recorde)
Dezembro de 2025
1,77 milhão
mês de fechamento do recorde
Janeiro a agosto de 2026
12.532.488
+6,4% sobre jan–ago de 2025
Agosto de 2026
1.699.519
−3,1% sobre julho
Os usados mais vendidos do Brasil
No mês de dezembro de 2025, o pódio dos usados mais transferidos foi o de sempre: Volkswagen Gol (74.497), Chevrolet Onix (45.285) e Hyundai HB20 (42.583). Em agosto de 2026 a ordem se repetiu: Gol (67.461), Onix (41.591) e HB20 (40.404). São carros baratos de manter, com peça em qualquer esquina e liquidez alta, o que os mantém no topo ano após ano. São também, por serem muitos, os que mais aparecem nos rankings de roubo e furto.
Nos outros segmentos de agosto de 2026, os líderes foram a Fiat Strada (41.851), a Saveiro (24.652) e a Hilux (20.440) entre os comerciais leves, e a Honda CG 150 (89.790), a Biz (40.002) e a NXR 150 (30.192) entre as motos, segundo a mesma Fenauto.
Os mais buscados na internet
Buscar é diferente de comprar. Na Webmotors, o ranking de 2025 dos usados mais procurados é puxado por sedãs médios: Honda Civic e Toyota Corolla somam 30% das buscas do top 10, seguidos por Onix, Polo, Gol, HR-V, Compass, HB20, Jetta e BMW 320i. As pessoas pesquisam o carro que querem e compram o que cabe no bolso.
Essa diferença tem uma consequência prática: o carro muito buscado e pouco vendido costuma ter anúncio com preço mais esticado, porque o vendedor sente a procura. Já o carro de volume (Gol, Onix, HB20) tem tantos anúncios que a comparação de preço é fácil, e um preço fora da curva salta aos olhos.
O que os preços dos usados fizeram
O Índice Webmotors registrou queda média de 3,9% nos preços dos usados a combustão em 2025, parecida com a de 2024. Nos eletrificados a queda foi bem maior: 12% nos elétricos usados e 9% nos híbridos. Para quem compra, o mercado está mais líquido e o preço, mais próximo da tabela. Para quem vende, o argumento do "único dono" pesa menos que a liquidez do modelo.
Onde se compra carro usado hoje
Os classificados concentram o começo da jornada: a Webmotors declara mais de 420 mil veículos anunciados e 145 milhões de buscas por mês; o Grupo OLX, cerca de 800 mil anúncios de veículos e um investimento de R$ 440 milhões até o fim de 2026 em tecnologia e marketing, com o estoque de carros acima de R$ 150 mil crescendo 24% ao ano. A compra em si ainda é presencial na maior parte dos casos, e é aí que a consulta pela placa entra: antes da visita, para confirmar que o carro do anúncio é o do documento.
"Transferência" é a troca de dono registrada no Detran, e não só a venda de uma pessoa para outra. Entram na conta a venda de loja para cliente, a entrada do carro no estoque da loja (quando a loja transfere para o próprio nome), a venda de frota de locadora e a de carro de leilão. Por isso o número é maior do que o de negócios fechados com o consumidor final, e um mesmo carro pode aparecer mais de uma vez no ano.
Para quem compra, a leitura útil é outra: quanto mais vezes o carro trocou de dono, mais perguntas ele merece. O histórico de propriedade, que mostra quantos donos e se houve passagem por empresa ou locadora, é o dado que conta essa parte.
O que isso muda para quem compra em 2026
Mais oferta, mais margem para escolher. Recorde de transferências significa mais carros à venda; não há por que fechar com pressa.
Preço mais perto da tabela. Desconto muito acima de 10% sobre a FIPE em modelo líquido (Gol, Onix, HB20) pede explicação, e a explicação costuma estar na consulta: leilão, sinistro, débito ou muitos donos.
Seminovo de frota em alta. Com os seminovos crescendo, aumenta a chance de o carro de três anos ter passado por locadora. Não é defeito, mas muda a leitura da quilometragem e do desgaste.
Elétrico usado ficou mais barato, e a consulta de um elétrico tem o mesmo roteiro; o que muda é a atenção à bateria e à cobertura de fábrica.
Passo a passo para comprar usado num mercado aquecido
Separe três ou quatro anúncios do mesmo modelo e ano e compare preço, quilometragem e versão. O que destoa muito dos outros é o primeiro a pedir explicação.
Peça a placa antes de sair de casa. Vendedor que evita passar a placa é sinal para desconfiar.
Consulte a placa e confira se modelo, ano, cor e cidade batem com o anúncio; veja roubo e furto, leilão, sinistro, restrições, débitos e número de donos.
Veja o carro pessoalmente, de dia, e confira o chassi e o documento (CRLV-e) com o que a consulta mostrou.
Leve um mecânico de confiança ou peça uma avaliação independente do estado mecânico, que nenhuma consulta de registro substitui.
Faça a transferência pelo caminho oficial, com a ATPV-e assinada eletronicamente ou em cartório, e pague só depois de ter os dados conferidos.
Erros comuns de quem compra usado com pressa
Fechar pelo preço sem ver o motivo do desconto. Carro abaixo da média quase sempre tem uma razão, e ela costuma estar no histórico.
Pagar sinal antes de ver o carro. O golpe do falso vendedor usa justamente anúncio de carro de volume, com preço atraente.
Confiar no "único dono" da conversa. O histórico de propriedade é o que mostra quantos donos o carro teve.
Esquecer os débitos. Multa, IPVA e licenciamento atrasados travam a transferência e, na prática, viram conta de quem compra.
Perguntas frequentes sobre o mercado de usados
Qual foi o carro usado mais vendido em 2025?
Pelos dados da Fenauto para dezembro de 2025, o Volkswagen Gol, com 74,5 mil transferências no mês, seguido de Onix e HB20. Em agosto de 2026 o pódio se repetiu.
Quantos carros usados foram vendidos em 2026?
De janeiro a agosto de 2026, 12.532.488 transferências, 6,4% acima do mesmo período de 2025, segundo a Fenauto.
O preço dos usados está caindo?
Em média, sim: o Índice Webmotors apontou queda de 3,9% nos usados a combustão em 2025, e de 9% a 12% nos eletrificados.
O que é seminovo?
Na classificação da Fenauto, é o veículo com até três anos de uso. Foi a faixa que mais cresceu em 2026, alta de 13,5% até agosto.
Qual é a moto usada mais vendida?
Em agosto de 2026, a Honda CG 150, com 89.790 transferências, seguida da Biz e da NXR 150, segundo a Fenauto.
Carro muito vendido tem menos chance de ter problema no histórico?
Não há relação direta. Esses modelos são mais fáceis de revender e de manter, mas, por serem muitos, também lideram os rankings de furto. A consulta da placa nas bases de roubo e furto pede ainda mais atenção para eles.