Os 20 carros mais roubados e furtados em São Paulo (últimos 12 meses)
Ranking com os boletins de ocorrência da SSP-SP (ago/2025 a jul/2026): Onix, Gol e HB20 lideram e 9 em cada 10 casos são furto. Veja o que fazer se o carro for levado e o que conferir no usado.
Publicado em 18/09/2026 · atualizado em 23/09/2026 · 8 min de leitura · por Averiga
Todo mês a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo publica, em dados abertos, a lista de veículos que entraram em boletim de ocorrência por roubo ou furto, com marca, modelo, ano e cidade. Nós baixamos essa base, tiramos as repetições e somamos os últimos 12 meses fechados: 81.497 ocorrências no estado, entre carros e motos.
Abaixo estão os 20 modelos de carro com mais registros. Antes da tabela, dois avisos que mudam a leitura:
É contagem de boletins, e não chance de acontecer. Onix, Gol e HB20 estão no topo porque são os carros mais comuns nas ruas. Um modelo raro pode ter poucos registros e ainda assim ser alvo frequente em proporção à frota.
Furto e roubo são coisas diferentes. Furto é o carro levado sem violência (estacionado, na rua). Roubo é com ameaça ou violência. Entre os carros da lista, cerca de 90% dos casos são furto.
Quais são os carros mais roubados e furtados em São Paulo
#
Modelo
Furtos
Roubos
Total
1
Chevrolet Onix
1.843
195
2.038
2
Volkswagen Gol
1.915
86
2.001
3
Hyundai HB20
1.708
268
1.976
4
Ford Ka
1.480
59
1.539
5
Fiat Uno
1.432
48
1.480
6
Fiat Argo
1.161
133
1.294
7
Chevrolet Corsa
1.259
34
1.293
8
Fiat Mobi
1.110
84
1.194
9
Fiat Palio
1.073
63
1.136
10
Renault Kwid
990
110
1.100
11
Fiat Strada
954
43
997
12
Nissan Kicks
868
66
934
13
Jeep Renegade
868
54
922
14
Fiat Toro
692
54
746
15
Jeep Compass
704
26
730
16
Volkswagen Fox
661
46
707
17
Renault Sandero
656
45
701
18
Volkswagen Saveiro
638
50
688
19
Honda HR-V
653
32
685
20
Chevrolet Prisma
613
43
656
Fonte: SSP-SP, boletins de ocorrência de veículos subtraídos (dados abertos), agosto de 2025 a julho de 2026. Contagem de boletins, não taxa por frota: modelo muito vendido aparece mais.
O que o ranking diz, e o que não diz
Os cinco primeiros (Onix, Gol, HB20, Ka e Uno) somam mais de 9 mil ocorrências em um ano. São os carros mais vendidos da última década, e por isso também os mais procurados por quem desmonta para vender peça: quanto mais carros iguais rodando, mais fácil escoar a porta, o farol e o motor.
O ranking não diz nada sobre um carro específico. Ele diz onde está a atenção de quem furta. Para saber se o carro que você está olhando já passou por um boletim, a informação está nas bases de roubo e furto, e é consultada pela placa.
A SSP-SP mantém duas coisas diferentes, e vale saber qual é qual. A primeira é a estatística oficial, com os totais de roubo e furto de veículos por mês, por delegacia e por região, que é a que aparece nas notícias sobre alta ou queda. A segunda é a base de transparência, com uma linha por veículo citado em boletim: marca, modelo, ano, cor, cidade e a situação do veículo naquele registro. É dessa segunda que sai o ranking acima.
A base de transparência é bruta. O mesmo carro pode aparecer mais de uma vez, o modelo vem escrito de jeitos diferentes, e há veículos que entram no boletim como "localizado" depois de terem sido levados. Por isso os totais daqui não batem exatamente com a estatística oficial, e a própria secretaria avisa isso. Para enxergar o tamanho do problema e quais modelos são mais visados, a base funciona bem; para dizer qualquer coisa sobre um carro específico, só a consulta daquela placa.
O que fazer nas primeiras horas depois do roubo ou furto do carro
Quem teve o carro levado costuma perder tempo procurando pelo quarteirão ou esperando "para ter certeza". Cada hora conta, porque o carro furtado é desmontado ou ganha identidade nova rápido. A ordem prática é esta:
Ligue 190 se foi roubo, ou se o furto acabou de acontecer. A Polícia Militar passa as características do carro para as viaturas da região.
Registre o boletim de ocorrência. Em São Paulo, o furto de veículo pode ser registrado pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil, pela internet; em caso de roubo, com violência ou ameaça, a delegacia orienta se o registro precisa ser presencial. Tenha à mão placa, Renavam, chassi, cor, ano e o que havia dentro do carro. É o boletim que coloca o alerta de roubo ou furto no cadastro do veículo.
Acione o rastreador, se o carro tiver. A central da empresa costuma pedir o número do boletim para mandar a equipe de pronta resposta.
Avise a seguradora e anote o número do aviso de sinistro. Ela pede o boletim, a chave reserva e os documentos do carro.
Se o carro for financiado, avise o banco. O contrato continua valendo, e a indenização do seguro vai primeiro para quitar o saldo.
Cuide do que estava dentro. Documento, cartões, tag de pedágio e controle do portão de casa vão junto com o carro: bloqueie o que der e troque o segredo do portão se o endereço estava no carro.
Depois, acompanhe pelo Detran e pela consulta da placa se o alerta apareceu. Se chegar multa de radar com data posterior ao boletim, o registro serve para contestar.
Como diminuir a chance de o seu carro ser levado
Não existe proteção que resolva tudo, mas algumas medidas tiram o carro da lista de alvos fáceis, que é o que quem furta procura:
Prefira estacionamento fechado ou garagem para o pernoite, sobretudo se o seu carro está no topo do ranking.
Rastreador ou bloqueador ajudam na recuperação, e muitas seguradoras pedem um deles para os modelos mais visados. Pergunte antes de contratar o seguro.
Trava de volante ou de pedal é barata e visível: quem passa pela rua escolhe o carro do lado.
Não deixe o documento, a chave reserva ou objetos à vista dentro do carro.
Carro com chave presencial pode ser aberto com equipamento que amplia o sinal da chave. Guardar a chave longe da porta de casa, ou numa capa que bloqueia o sinal, reduz essa exposição.
Grave a placa ou o chassi nos vidros e fotografe as numerações do carro. Isso ajuda a polícia a identificar o carro se ele for encontrado.
O que a consulta pela placa mostra sobre roubo e furto
Para quem vai comprar um usado, a pergunta não é o ranking, e sim o histórico daquele carro. A consulta pela placa cruza as bases de roubo e furto e devolve a situação do registro. As leituras mais comuns:
O que aparece
O que significa
O que conferir
Ocorrência ativa
O carro consta como roubado ou furtado e não foi dado como recuperado
A transferência fica travada; não entregue dinheiro
Ocorrência encerrada
O carro foi levado e depois recuperado
Estado do carro, se a seguradora pagou indenização e se passou por leilão
Nenhum registro localizado
As bases consultadas não trazem ocorrência para essa placa
Chassi e motor no carro, para ver se batem com o documento
O carro recuperado volta ao dono ou, se a seguradora já tinha indenizado, passa a ser dela e costuma ir a leilão. Ter o registro encerrado não impede a venda, mas pede atenção a peças trocadas, chave, ignição e documento.
Por que isso importa para quem vai comprar usado
Um carro furtado pode voltar ao mercado de três jeitos: recuperado e vendido normalmente (com a ocorrência registrada e depois baixada), vendido com documento adulterado, ou desmontado. Para quem compra, o perigo está no segundo caso: o carro parece normal, o preço atrai, e o problema aparece no momento de transferir ou numa blitz.
Três conferências simples reduzem muito essa exposição:
Consultar a placa nas bases de roubo e furto. É o primeiro item de qualquer relatório pago. Se houver ocorrência ativa, o carro não pode ser transferido.
Comparar o chassi gravado no carro com o do documento. O chassi fica no assoalho, sob o banco do carona, e na coluna da porta. Gravação lixada, rebitada ou com fonte diferente é sinal para parar. O passo a passo está em chassi remarcado e carro clonado.
Desconfiar de preço muito abaixo da tabela para um modelo popular. A tabela de referência do mês está na consulta gratuita.
Como fizemos a conta
A base da SSP-SP traz uma linha por vínculo do boletim, e o mesmo carro aparece mais de uma vez quando há mais de um envolvido. Contamos cada boletim uma vez (por delegacia, ano, número e veículo) e ficamos só com "Roubado" e "Furtado", deixando de fora "Localizado / Entregue". O modelo vem como texto do cadastro ("GM/ONIX 1.0 LT") e foi agrupado pela família ("Onix"). A própria SSP avisa que a base é bruta e não é a estatística oficial do estado.
A mesma base alimenta o bloco "A região do carro" do nosso relatório Premium, que mostra quantas ocorrências o modelo do carro teve na cidade em que ele está registrado. As motos têm um ranking próprio, em motos mais roubadas em São Paulo.
Perguntas frequentes
Qual é o carro mais roubado e furtado em São Paulo?
Nos boletins da SSP-SP de agosto de 2025 a julho de 2026, Onix, Gol e HB20 lideram a contagem, seguidos de Ka e Uno; é contagem de registros, e os modelos mais vendidos aparecem no topo também porque há mais deles nas ruas.
Qual é a diferença entre roubo e furto de carro?
Furto é quando o carro é levado sem violência, em geral estacionado na rua; roubo é quando há ameaça ou violência contra a pessoa, e entre os carros do ranking cerca de 90% dos casos são furto.
Posso registrar o boletim de furto do carro pela internet em São Paulo?
Sim, o furto de veículo pode ser registrado pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil de São Paulo, e em caso de roubo a própria delegacia orienta se é preciso comparecer; o importante é registrar logo, porque é o boletim que coloca o alerta no cadastro do carro.
Carro com ocorrência de roubo encerrada pode ser vendido?
Pode, porque a ocorrência encerrada indica que o carro foi recuperado, mas convém conferir se a seguradora pagou indenização, se ele passou por leilão e se chassi, motor e documento batem.
Como saber se um carro usado já foi roubado ou furtado?
Pela consulta da placa nas bases de roubo e furto, que mostra ocorrência ativa ou encerrada, e comparando no próprio carro o chassi gravado no assoalho, na coluna e nos vidros com o número do documento.
O ranking mostra a chance de o meu carro ser roubado?
Não, ele conta boletins e não divide pela frota de cada modelo, então mostra onde está a atenção de quem furta, e não a probabilidade para um carro específico.