O chassi é a identidade do carro: 17 caracteres que dizem fabricante, versão, ano e a sequência de produção. Quem rouba um carro precisa dar a ele outra identidade, e é aí que aparecem a remarcação irregular (o número original lixado e regravado) e o carro clonado ou "dublê" (um carro roubado circulando com a placa e o chassi copiados de um carro legal, igual em modelo e cor).
O que a lei exige desde 2025
A Resolução 968 do Contran, em vigor para carros novos desde janeiro de 2025, manda gravar o número do chassi em vários lugares: no monobloco, no motor, nos vidros e em etiquetas que se destroem ao serem removidas. Remarcação só pode ser feita em local diferente do original, em superfície nunca gravada, e recebe o sufixo "REM". Ou seja: chassi regravado no mesmo lugar do original, sem REM e sem processo no Detran, é adulteração, e adulterar chassi é crime (Código Penal, artigo 311).
Os sete pontos que a PRF manda conferir
- Placa: sem sinal de troca, com lacre e com o mesmo número do documento.
- Vidros: os últimos dígitos do chassi gravados em cada vidro. Vidro sem gravação ou com gravação diferente foi trocado, ou é outro carro.
- Etiquetas: as etiquetas de identificação nas colunas das portas, intactas.
- Chassi no monobloco: no assoalho, sob o banco do carona, ou na torre do amortecedor. Letras do mesmo tamanho, sem área lixada, sem tinta nova só ali.
- Motor: o número gravado no bloco, igual ao do documento.
- Câmbio: em alguns modelos, também numerado.
- Documento: chassi, motor, cor e ano batendo com o carro.
A frase da PRF resume o resto: quem compra um carro de R$ 70 mil por R$ 15 mil não vai conseguir alegar boa-fé.
Como o carro clonado é descoberto
Quase sempre pelo dono do carro legal: começam a chegar multas de lugares onde ele nunca esteve, em horários em que o carro estava na garagem. Foram registrados 2.758 veículos adulterados no país só no primeiro semestre de 2024, segundo levantamento publicado pela CNN. Para quem comprou o clone sem saber, o problema aparece numa blitz ou na tentativa de transferência, quando os dois carros "iguais" se encontram no sistema.
No Detran-SP, a vítima abre um processo de veículo dublê com a inspeção do carro legal feita em empresa credenciada, fotos e as notificações recebidas; o prazo declarado é de até 30 dias úteis.
O que a consulta mostra
A consulta pela placa cruza a numeração do chassi com o padrão do fabricante (o "decodificador") e aponta divergência. No nosso relatório Completo e Premium, o bloco de integridade mostra se a conferência do chassi apontou irregularidade, a marcação registrada na base (normal ou remarcado) e, quando o chassi está disponível, se o ano que ele declara bate com o ano do cadastro. O número em si não aparece na tela: é dado do carro, e não do comprador.
Perguntas frequentes sobre chassi e carro clonado
Todo chassi remarcado é irregular?
Não. A remarcação autorizada pelo Detran (depois de corrosão, batida ou troca de peça) é gravada em outro lugar, com o sufixo REM, e fica registrada. O problema é a regravação sem registro, no mesmo lugar.
Como sei se um carro é clonado antes de comprar?
Confira os sete pontos da PRF e consulte a placa: modelo, cor e ano do cadastro têm de bater com o carro à sua frente, e o decodificador aponta divergência de chassi.
Comprei sem saber e o carro era clonado. E agora?
Boletim de ocorrência, guarde todos os comprovantes de pagamento e a conversa com o vendedor, e procure um advogado: o carro vai ser apreendido, e a ação é contra quem vendeu.