"Clonado" é o carro roubado que ganhou a identidade de outro. O criminoso escolhe um veículo legal do mesmo modelo, cor e ano, copia a placa, falsifica o documento e vende o roubado como se fosse aquele. Quem compra paga por um carro que, no registro, é de outra pessoa e está em outro lugar. E o dono do carro original começa a receber multas de cidades onde nunca esteve.
Por que os populares são os mais clonados
Clonar exige um "gêmeo" fácil de achar: Gol, Onix, HB20, Ka, Argo, Uno, Palio, os dez mais roubados do país em 2026, são os mais clonados porque há milhares iguais rodando (o ranking).
Os cinco testes
1. A consulta pela placa, antes de ver o carro. O registro daquela placa diz marca, modelo, ano, cor, combustível e município. Se qualquer coisa não bate com o anúncio (a cor, o ano-modelo, a versão), pare. Roubo e furto registrados aparecem também, mas o clone é justamente o carro que não aparece como roubado, porque está usando a placa de um carro limpo. Por isso os testes seguintes existem.
2. O chassi, em três lugares. O número está gravado na chapa do assoalho ou da torre do amortecedor (sob o capô), na plaqueta do painel (visível pelo para-brisa) e no documento. Os três precisam ser iguais, e a gravação precisa ser de fábrica: números irregulares, chapa com solda ao redor, pintura nova só ali, rebites, ou a sigla "REM" (remarcado) são o sinal. Chassi ilegível reprova qualquer vistoria (chassi remarcado).
3. Os vidros. Desde 1988 o final do chassi vem gravado no para-brisa, no vidro traseiro e em pelo menos quatro laterais. Todos os vidros com o mesmo número, igual ao chassi. Um vidro sem gravação é troca (pode ser batida ou pedra); vários vidros com números diferentes, ou nenhum gravado, é remontagem ou clone.
4. As etiquetas. O carro tem pelo menos duas etiquetas de identificação (no cofre do motor e numa coluna dianteira) com os oito últimos dígitos do chassi, além das etiquetas dos vidros. Faltando ou divergente, reprova.
5. O documento e a placa. A placa Mercosul tem QR code e padrão LLLNLNN; compare a placa física com o CRLV-e e confira o lacre. O documento digital é conferido no app oficial, não em print. O dono do documento precisa ser a pessoa à sua frente, com identidade.
Se qualquer teste falhar, a vistoria cautelar (R$ 150 a R$ 400) faz o confronto completo com as bases e reprova o carro por "adulteração de identificação". Um clone bem feito passa no olho; não passa na cautelar.
Se o seu carro é a vítima
Multas de lugares onde você não esteve, notificação de infração com o carro na garagem, ou uma consulta mostrando ocorrência que não é sua: registre boletim de ocorrência de clonagem, peça ao Detran a troca das placas (nova combinação) e conteste cada multa com o BO e provas de onde você estava. A consulta pela placa periódica é o jeito de descobrir cedo.
Perguntas frequentes sobre carro clonado
O que é um carro clonado?
Um veículo roubado que recebe a placa e o documento de outro igual (mesmo modelo, cor e ano) que continua rodando legalmente.
Como saber se um carro é clonado?
Consulta pela placa (tudo tem de bater com o carro), chassi igual nos três lugares e sem sinal de adulteração, vidros e etiquetas com o mesmo número, e documento conferido no app oficial com o dono presente.
Carro clonado aparece como roubado na consulta?
Não necessariamente: ele usa a placa de um carro limpo. Por isso os testes físicos (chassi, vidros, etiquetas) são indispensáveis.
Comprei um carro clonado. E agora?
O carro é apreendido e devolvido ao dono original; o dinheiro só volta processando o vendedor. Boletim de ocorrência imediato.