É o golpe mais aplicado na compra de carro usado no Brasil, e o mais bem documentado pela polícia. Ele funciona porque as duas vítimas acham que estão falando com a outra.
O roteiro do golpista
- Clona o anúncio de um carro real (fotos, texto) e republica com preço abaixo do mercado e o próprio telefone.
- Explica o preço: "estou vendendo para um primo que tem uma dívida", "é de um cliente que precisa do dinheiro rápido".
- Conversa com os dois: com o dono do carro, se apresenta como comprador interessado; com o comprador, como vendedor ou "representante". Marca a visita ao carro real, na casa do dono real.
- Proíbe falar de valores: pede que comprador e vendedor não discutam preço entre si, "porque a negociação é comigo".
- Recebe o Pix numa conta aberta com documento de terceiro, e some. Comprador e vendedor só descobrem no cartório, ou quando finalmente conversam.
Foi exatamente assim em abril de 2026 na Grande SP: a compradora pagou R$ 8 mil de sinal num carro anunciado por R$ 9,5 mil (o dono pedia R$ 16,5 mil) a alguém que se dizia policial militar e mandou documentos forjados; a dona do carro também foi enganada, e a fraude só apareceu quando as duas falaram diretamente.
O tamanho em 2026
A Operação Thunderstruck, em 3 de março de 2026, prendeu 12 pessoas em Osasco, São Bernardo, Itanhaém, Santo André, São Caetano, Diadema e capital, com R$ 1,4 milhão bloqueado; o grupo usava identidades falsas e se revezava nos papéis de "vendedor", "transportadora" e "concessionária". Uma vítima transferiu R$ 120 mil. Em setembro, a Justiça manteve ação contra 11 réus de outro grupo, com prejuízo de R$ 7,7 milhões e um deles preso por decisão de vara de São Bernardo do Campo.
As regras da Polícia Civil
- Negocie só com o dono que aparece no documento; peça para ver o CRLV-e e a identidade juntos.
- Nunca pague em conta de terceiro. O Pix vai para o CPF do dono, e ponto.
- Comprovante de Pix por WhatsApp não vale nada: confira o dinheiro na sua conta.
- Feche no cartório ou pela transferência digital, pagando na assinatura da ATPV-e, com o carro presente.
- Se alguém pede sigilo sobre o valor, pare. É a assinatura do golpe.
E antes de tudo: a consulta pela placa confirma o carro, o ano, o registro e as restrições. Se o "vendedor" não manda a placa, não existe carro.
Perguntas frequentes sobre o falso intermediário
Como identificar o golpe do falso intermediário?
Preço abaixo do mercado com uma "história", vendedor que não é o dono, pedido de sigilo sobre valores e Pix para conta de terceiro.
O vendedor também é vítima?
Sim: o dono do carro recebe a visita achando que é o comprador real e às vezes entrega o carro contra um comprovante falso.
Como recuperar o dinheiro?
Boletim de ocorrência e pedido de MED (Mecanismo Especial de Devolução do Pix) ao banco na mesma hora; a chance cai a cada minuto.