Comprar carro pela internet virou o normal: só a Webmotors declara 31 milhões de visitas e 2 milhões de contatos por mês, com mais de 420 mil veículos anunciados; o Grupo OLX fala em cinco carros vendidos a cada dois minutos. Onde há esse volume, há golpe. A Febraban informou que, no primeiro semestre de 2025, o "golpe da falsa venda" foi o mais relatado aos bancos no país: 174 mil ocorrências, mais que o triplo do ano anterior. Um estudo da OLX estimou em R$ 2,7 bilhões o prejuízo com golpes em compra e venda de veículos, com São Paulo concentrando 28% dos casos.
Os quatro golpes que mais aparecem
1. O anúncio clonado (o "intermediário")
O golpista copia um anúncio real e reanuncia o mesmo carro mais barato. Pede ao dono verdadeiro para tirar o anúncio do ar "porque já vendeu", marca a visita do comprador com o dono, e diz ao comprador que o carro está no nome de um terceiro e que o pagamento vai para ele. O comprador vê o carro de verdade, com o dono de verdade, e faz o Pix para o golpista. Em Mato Grosso do Sul, a polícia registrou vítimas com prejuízos de R$ 11 mil a R$ 65 mil só em setembro de 2026.
Como se proteger: o Pix vai para o CPF de quem está no documento do carro, e para mais ninguém. Se o nome no documento e o nome da conta não batem, não paga.
2. O sinal por Pix
"Tem muita gente interessada, me manda um sinal para segurar." O carro não existe, ou existe e é de outra pessoa. Os modelos mais usados como isca, segundo o estudo da OLX, são os populares baratos: Celta, Gol, Palio e Corsa.
Como se proteger: sinal só depois de ver o carro, o documento e a pessoa, e só para o CPF do documento.
3. O leilão falso
Site com cara de leiloeiro oficial, carros muito abaixo da tabela, "arremate" por Pix ou transferência. Leilão de verdade tem leiloeiro registrado na Junta Comercial, e os da Receita Federal só aceitam pagamento por guia (DARF), nunca Pix.
Como se proteger: desconfie de preço muito abaixo, de pressa e de domínio com erro de digitação. Consulte a lista de sites falsos mantida pela associação dos leiloeiros.
4. O carro que não é o do anúncio
Aqui não há Pix antecipado: o carro existe e é vendido. Só que é um carro com passagem por leilão não declarada, com débito, com restrição judicial ou com o chassi adulterado, vendido como "novinho". É o golpe que só aparece na hora de transferir.
Como se proteger: consulta pela placa antes de qualquer pagamento. Restrição, débito, roubo, leilão e sinistro estão nas bases, e a consulta gratuita já mostra se marca, modelo, ano e cor batem com o anúncio.
O roteiro do Procon-SP
Em orientação publicada em agosto de 2026, o Procon-SP resume o que fazer ao comprar usado, online ou não:
- Não comprar só por fotos e não pagar antes de ver o carro.
- Consultar a situação do veículo (roubo e furto, multas, alienação, IPVA) antes de fechar.
- Exigir o documento de transferência com a firma reconhecida, e conferir chassi, cor e ano com o carro.
- Em compra de loja, vale a proteção de 90 dias do Código do Consumidor para problema aparente. Entre pessoas físicas, não: o que vale é o que foi combinado e provado.
Comprar 100% online
Plataformas como Kavak, Localiza Seminovos e Movida vendem sem visita à loja, com inspeção declarada, prazo para devolução e cobertura por tempo determinado. Continua valendo a mesma regra: a consulta pela placa antes de pagar, porque cobertura da loja não apaga histórico de leilão nem débito antigo, e o relatório é o que você leva se precisar reclamar.
Perguntas frequentes sobre golpe em compra de carro
Fiz o Pix e o carro não existia. E agora?
Registre boletim de ocorrência na hora, com prints do anúncio e da conversa, e acione o seu banco pelo mecanismo especial de devolução do Pix (o MED), que pode bloquear o valor na conta de destino se for rápido.
Como sei se o anúncio é clonado?
Procure o mesmo carro (mesma placa, mesmas fotos) em outros sites. Se aparecer com outro preço e outro vendedor, um dos dois é falso. E o Pix só vai para o CPF do documento.
A consulta pela placa evita golpe?
Evita o quarto tipo: carro com histórico escondido. Para os outros três, a regra é não pagar nada antes de ver o carro, o documento e a pessoa, e pagar só para o CPF do documento.