Há três anos "carro chinês" era curiosidade. Em agosto de 2026, 23,1% dos carros novos vendidos no Brasil eram de marcas chinesas, e a BYD era a 5ª marca do país. É a mudança mais rápida de participação de mercado desde a chegada das coreanas nos anos 2000.
Os números
- 23,1% do mercado em agosto de 2026; BYD com 8,2% (líder no varejo).
- 44% do segmento premium (R$ 400 mil a R$ 500 mil) com BYD, Denza e GWM, contra zero 18 meses antes.
- 1.360 concessionárias representam marcas chinesas no primeiro semestre de 2026, 16% de todas as lojas do país; a Fenabrave subiu a projeção de vendas de leves para +8,8% no ano por causa delas.
Quem produz aqui e quem prometeu
Já produzindo: Caoa Chery (Anápolis, desde 2014); GWM (Iracemápolis-SP, desde agosto de 2025: mais de 15 mil unidades no primeiro ano, meta de 32 mil até dezembro de 2026, capacidade de 50 mil, R$ 10 bilhões em dez anos); BYD (Camaçari-BA, desde outubro de 2025, com estamparia e pintura até o fim de 2026); Caoa Changan (Anápolis, 2026).
Prometidas: Geely em São José dos Pinhais (na fábrica da Renault), GAC em Catalão-GO (R$ 1,3 bilhão), Leapmotor em Goiana-PE (com a Stellantis), Omoda & Jaecoo negociando a antiga JLR em Itatiaia-RJ, e uma segunda fábrica da GWM no Espírito Santo.
O motor disso é o imposto: importado paga 35% desde julho de 2026; nacional, zero. E o governo renovou em junho uma cota de US$ 463 milhões com alíquota zero para kits de montagem (CKD/SKD) por seis meses, favorecendo justamente quem monta aqui, o que a Anfavea criticou.
O que isso muda para quem compra
- Peça e assistência são o gargalo. Rede em expansão é rede nova; espera por peça de importado já é a principal reclamação (o caso BYD). Modelo nacional resolve parte disso.
- Desvalorização é modelo a modelo: Yuan Pro -6% e Seal -25% em 12 meses são da mesma marca. Marca nova sem histórico de revenda pede olhar a Fipe do mês, não a tabela do lançamento.
- Corte de preço no zero derruba o usado. Foi assim com Seal e Song Plus; será assim com quem baixar preço para ganhar mercado.
- Usado de marca chinesa entra no mesmo roteiro: leilão, sinistro, restrição, donos e bateria pela placa e na rede.
Perguntas frequentes
Qual é a participação das marcas chinesas no Brasil?
23,1% das vendas de carros novos em agosto de 2026, e 44% no segmento de R$ 400 mil a R$ 500 mil.
Quais marcas chinesas têm fábrica no Brasil?
Caoa Chery e Caoa Changan (GO), GWM (SP) e BYD (BA) já produzem; Geely, GAC, Leapmotor e Omoda & Jaecoo anunciaram fábricas.
Carro chinês importado paga quanto de imposto?
35% desde julho de 2026; kits de montagem têm cota com alíquota zero até dezembro de 2026.