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Preços e mercado

Tendência 4 de 5: o carro conectado sabe por onde você anda, a LGPD diz o que a montadora pode fazer com isso, e o seguro passa a cobrar pelo jeito de dirigir

Carro novo registra trajetos, frenagens, acelerações e manutenção, e manda para a montadora. Pela LGPD ela precisa dizer o que coleta e para quê, e a multa da ANPD chega a R$ 50 milhões. Atualização remota, seguro por uso e rastreamento de fábrica são o que vem até 2030, e também o que muda na compra de um usado conectado.

Publicado em 22/09/2026 · 2 min de leitura · por Averiga

O carro virou um computador com rodas que fala com a fábrica. Isso traz atualização pela internet, chamada automática de emergência e seguro mais justo; e traz também uma pergunta nova: quem é o dono dos dados do seu carro?

O que o carro coleta

Um carro conectado registra trajetos e localização, padrão de frenagem e aceleração, uso do cinto, dados de manutenção e falhas, e, em alguns modelos, biometria do motorista e o que acontece dentro da cabine. Esses dados vão para a montadora pelo chip 4G embarcado e alimentam o aplicativo, o pós-venda e, cada vez mais, produtos de terceiros.

O que a LGPD exige

Pela Lei Geral de Proteção de Dados, a montadora precisa dizer o que coleta e para quê, ter um encarregado (DPO), e o motorista tem direito a acessar, corrigir, apagar e impedir o compartilhamento dos seus dados. A ANPD pode multar em até R$ 50 milhões por infração. Na prática, isso aparece no termo de uso do app do carro, que quase ninguém lê, e é onde a montadora pede autorização para usar localização e comportamento.

O que vem até 2030

  1. Atualização remota (OTA): correção de software e recall sem ir à concessionária; a Volkswagen fez em 2026 um recall de software de painel em 118 mil carros (recalls de 2026).
  2. Chamada de emergência (e-Call) passa a ser exigida pelo Latin NCAP a partir de 2026 para nota máxima.
  3. Seguro por uso (pay-how-you-drive): a seguradora lê a telemetria e cobra pelo jeito de dirigir e pelos km rodados; produtos assim já estão registrados na Susep.
  4. Rastreamento de fábrica integrado ao app, que muda a conta do roubo e do seguro.
  5. Dependência de serviço: app fora do ar, chip sem sinal ou ativação que demora (donos de Dolphin Mini relataram 30 dias de espera pelo 4G) viram problema de carro, não de celular.

O usado conectado

Comprar um carro conectado usado tem dois passos que o carro antigo não tinha:

  • Desvincular o dono anterior. Enquanto a conta antiga estiver ligada ao carro, o ex-dono pode ver onde ele está e, em alguns modelos, destravar as portas. Peça a transferência da conta na concessionária no dia da compra.
  • Conferir o que o carro registra. O histórico de manutenção e de falhas fica no sistema e é uma fonte de verdade sobre quilometragem e revisões, ao lado das bases públicas que a consulta pela placa mostra (quilometragem adulterada).

Perguntas frequentes

O carro conectado coleta quais dados?

Localização e trajetos, frenagem e aceleração, manutenção e falhas, e em alguns modelos biometria e dados da cabine.

A montadora pode vender meus dados?

Só com base legal e informação clara, pela LGPD; você pode pedir acesso, correção, exclusão e bloqueio de compartilhamento. A ANPD multa em até R$ 50 milhões.

O que é seguro por uso?

Apólice em que o preço depende dos km rodados e do jeito de dirigir, medidos por telemetria.

Fontes citadas

O artigo resume e comenta as fontes com as próprias palavras; o texto original é de cada veículo ou órgão.

Assuntos: tendências · carro conectado · lgpd · dados · ota · seguro por uso · rastreamento

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