Entre a fábrica da pastilha e a oficina do bairro existe uma camada que quase ninguém vê: a distribuidora. É ela que decide qual marca chega ao balcão, a que preço e em quanto tempo. E é um mercado grande e pulverizado.
O tamanho do mercado
- Faturamento do setor de autopeças em 2025: R$ 265,6 bilhões (+4,2%), segundo o Sindipeças em junho de 2026, que cortou a projeção de 2026 para R$ 272 bilhões (+2,4%). Cerca de 65% vai para as montadoras; a reposição é cerca de um quarto, e caiu 11% até abril de 2026.
- O varejo de peças de reposição movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano, com apenas 6% a 8% vendidos online; a projeção do setor é chegar a 20% entre 2030 e 2040. Cada carro tem de 20 a 30 mil componentes.
- 118 mil oficinas independentes cuidam de cerca de 80% de uma frota que passa de 48 milhões de veículos, com idade média de 11 anos. Frota velha é o motor da reposição.
- Cerca de 60% das vendas são itens de giro rápido: pastilha, filtro, vela, amortecedor e bateria (os guias de cada peça).
Os grupos que dominam a distribuição
Não existe ranking público por faturamento; o prêmio "Maiores e Melhores da Distribuição" é de percepção (pesquisa com 500 varejistas). O que se sabe pelos próprios grupos e pela imprensa:
| Grupo | O que é |
|---|---|
| Fortbras | Controlado pela Advent desde 2016, saiu de 14 unidades e R$ 400 milhões para 165 unidades e cerca de R$ 2 bilhões em 2021, quando preparava IPO, reunindo 17 marcas regionais; mesmo assim tinha só 2% do mercado |
| Grupo Comolatti (Sama, Laguna, Matrix, Pellegrino, Roles, RPR, Pronto, AuthoMix) | Mais de 65 centros de distribuição, 210 mil m² de armazéns, presença em 22 estados e no DF, entre 5 mil e 10 mil funcionários; comprou a Pellegrino (fundada em 1941) em 2015, quando ela faturava R$ 800 milhões com 22 unidades |
| DPK | Fundada em 1987, hoje do grupo Stellantis, em 13 estados, com linhas leve, pesada, moto e acessórios |
| SK Automotive, G&B, Rolemar, Vespor, Jahu, Real Moto Peças | Distribuidoras regionais de grande porte (Rolemar com 35 mil itens; Vespor com 13 centros; Jahu desde 1963; Real, de Uberlândia, desde 1962) |
O dado que resume o setor: a maior distribuidora do país tem cerca de 2% do mercado. São milhares de distribuidoras, dezenas de milhares de lojas e 118 mil oficinas, o que explica a diferença de preço e de prazo entre uma cidade e outra para a mesma peça.
O que isso muda para quem tem carro
- Peça de carro popular é barata porque circula muito: Gol, Onix e HB20 têm peça em toda distribuidora; carro de nicho ou importado depende de importação e espera.
- Marca chinesa é o novo gargalo: rede nova, distribuidora ainda sem estoque, e é daí que vêm as esperas por peça relatadas pela imprensa (o caso BYD).
- Peça sem nota é peça de desmanche: o mercado paralelo abastecido por roubo é a outra face do mesmo balcão (peças visadas no desmanche).
Perguntas frequentes sobre o mercado de autopeças
Qual é a maior distribuidora de autopeças do Brasil?
Não há ranking oficial por faturamento; Fortbras (cerca de R$ 2 bilhões em 2021) e o Grupo Comolatti (Sama, Pellegrino, Laguna, Roles) são os maiores grupos conhecidos.
Quanto fatura o setor de autopeças?
R$ 265,6 bilhões em 2025 (Sindipeças); o varejo de reposição movimenta cerca de R$ 100 bilhões por ano.
Quantas oficinas existem no Brasil?
Cerca de 118 mil independentes, que atendem 80% da frota de mais de 48 milhões de veículos.