Financiamento de carro usado em 2026: os juros médios do Banco Central, entrada, CET e o gravame que fica no documento
A taxa média do crédito para veículos a pessoa física estava em 26,5% ao ano em julho de 2026, segundo o Banco Central, depois de 27,7% em janeiro. A inadimplência passou de 6% em abril. Veja como ler o CET, o que muda com a entrada e o prazo, o que é o gravame e o que conferir pela placa quando o carro à venda ainda está financiado.
Publicado em 23/09/2026 · 4 min de leitura · por Averiga
Dois em cada três financiamentos de veículo no Brasil são de carro usado: dos 7,3 milhões de contratos de 2025, 4,6 milhões foram de usados, segundo o Sistema Nacional de Gravames da B3. É a forma mais comum de comprar, e a que mais gente contrata sem saber quanto vai pagar no total.
Os juros em 2026, pelo Banco Central
A série do Banco Central para crédito livre a pessoa física na aquisição de veículos mostra a taxa média das operações novas:
Mês de 2026
Taxa média (ao ano)
Janeiro
27,7%
Fevereiro
27,3%
Março
26,6%
Abril
26,6%
Maio
26,3%
Junho
26,4%
Julho
26,5%
Janeiro foi o maior patamar desde abril de 2025 (28,1%), segundo a AutoData; depois houve um recuo leve. Na outra ponta, a inadimplência (parcelas com mais de 90 dias de atraso) passou de 6% em abril de 2026, a maior em quase dez anos na série da Anef. Juros altos e atraso alto explicam por que há tanto carro financiado à venda: a parcela ficou pesada para muita gente (o que isso significa para quem compra).
A média esconde a dispersão: perfil de crédito, entrada, prazo, idade do carro e o banco mudam a taxa, e carro mais velho costuma pagar mais.
Como ler a proposta
Taxa ao mês × ao ano. 2% ao mês não é 24% ao ano: é cerca de 26,8%, porque juro sobre juro. Compare sempre na mesma base.
CET (custo efetivo total). É o número que importa: juros mais IOF, tarifa de cadastro, seguro embutido e avaliação. O banco é obrigado a informar o CET, e é ele que deve ser comparado entre propostas, nunca a taxa nominal.
Entrada. Quanto maior, menor o valor financiado e, em geral, menor a taxa. Entrada pequena em carro usado tende a receber a taxa mais alta.
Prazo. Parcela menor em 60 meses custa muito mais juros no total do que em 36. Some as parcelas e compare com o valor do carro à vista.
Seguro e serviço embutido. Proteção financeira, seguro do carro e "assistência" dentro da parcela precisam ser opcionais; venda casada é proibida pelo CDC.
O gravame: o carro fica em nome do banco
Financiar por alienação fiduciária significa entregar o carro ao banco como garantia até quitar. Isso vira uma anotação no documento, o gravame, e enquanto ela existir o Detran não transfere o carro para outra pessoa. Depois de quitar, o banco tem 10 dias para dar baixa.
Para quem compra um usado, o ponto é este: o carro à venda pode estar financiado, e o anúncio nem sempre diz. A consulta pela placa mostra o gravame com a instituição, a data de inclusão e a situação.
Quitar e depois transferir. O dinheiro da venda vai para o boleto de quitação em nome do banco, não para o vendedor; espera-se a baixa do gravame e só então se assina a ATPV-e.
Assumir o financiamento. Exige nova análise de crédito no seu nome e aprovação do banco; "passar a dívida no contrato de gaveta" não existe para o Detran, e o carro continua no nome do outro.
O que não funciona é pagar ao vendedor e confiar que ele quita depois: o carro fica no nome dele, com gravame, e você fica sem transferir.
Financiar o próprio carro: o que muda no dia a dia
O carro financiado pode circular normalmente, mas precisa de autorização do banco para ser vendido, e muitos contratos pedem seguro com o banco como beneficiário. Atraso de parcela pode terminar em busca e apreensão. Quitação antecipada tem desconto proporcional dos juros, por lei.
O que a consulta pela placa mostra
Gravame ativo ou baixado, com a instituição e a data; restrições administrativas e judiciais; débitos; leilão e sinistro no histórico; e quantos donos o carro teve. Para quem vai financiar, é o material para saber se o carro é o que o anúncio diz antes de assinar um contrato de anos.
Perguntas frequentes sobre financiamento
Qual é a taxa média de financiamento de veículo em 2026?
26,5% ao ano em julho de 2026, na série do Banco Central para pessoa física com crédito livre; janeiro teve 27,7%. A taxa de cada proposta varia com perfil, entrada, prazo e idade do carro.
O que é CET no financiamento?
O custo efetivo total: juros mais IOF, tarifas e seguros embutidos. É o número para comparar propostas, e o banco é obrigado a informar.
Posso comprar um carro que ainda está financiado?
Sim, quitando o financiamento diretamente ao banco antes da transferência ou assumindo a dívida com aprovação do banco. Pagar ao vendedor e esperar que ele quite é o caminho que dá errado.
Como saber se o carro está financiado?
Pela consulta pela placa, que traz o gravame com a instituição e a situação; no CRLV-e, pela linha de alienação fiduciária; e no Detran, com placa e Renavam.