A pergunta "quanto caiu a venda de carro a combustão?" tem uma resposta que surpreende: em número absoluto, não caiu. O que caiu, e muito, foi a participação.
A conta
Dois números públicos bastam. A Fenabrave informa o total de automóveis e comerciais leves emplacados; a ABVE, quantos deles são eletrificados (elétricos, híbridos plug-in e híbridos).
| Agosto | Total de leves | Eletrificados | Só combustão | Participação da combustão |
|---|---|---|---|---|
| 2025 | cerca de 214 mil | 20 mil (9,4%) | cerca de 194 mil | 90,6% |
| 2026 | 263.054 | 57.386 (21,8%) | cerca de 206 mil | 78,2% |
O mercado cresceu 22,7% no período, e o carro a combustão cresceu uns 6%. Mas o eletrificado quase triplicou (+160% no acumulado do ano), e cada ponto que ele ganha é um ponto que o motor a combustão perde. Doze pontos de participação em doze meses. No acumulado de 2026 a fatia dos eletrificados está em 20%; a ABVE fala em 1 milhão de eletrificados na frota em setembro.
O que puxa a mudança
- Preço. O elétrico mais vendido (Dolphin Mini) entrou na faixa dos R$ 110 mil a R$ 120 mil, o preço de um compacto a combustão bem equipado.
- Custo de rodar. R$ 11 a R$ 14 por 100 km na tomada de casa, contra R$ 47 a R$ 48 com gasolina ou etanol (a conta completa).
- Marcas chinesas. BYD, GWM e Geely colocaram quatro modelos no top 10 de agosto.
- Híbrido flex. Toyota e outras vendem híbridos que abastecem com etanol, uma ponte para quem não tem onde carregar.
Do outro lado, o carro a combustão recebeu ajuda em 2025 e 2026: o programa federal de IPI zero para compactos eficientes derrubou o preço de Kwid, Mobi, HB20 e Polo Track em R$ 8 mil a R$ 13 mil, e a Fenabrave credita parte do crescimento de agosto a ele.
O que isso faz com o usado a combustão
Menos do que parece. Em 2025, o usado a combustão perdeu 3,9% de valor em média (Índice Webmotors), enquanto o elétrico usado perdeu 12%. O carro a combustão continua sendo a maior parte da frota, com peça, mecânico e revenda garantidos por muitos anos; a mudança de participação é no carro novo. Para quem compra usado em 2026, o efeito prático é a maior oferta de carros a combustão de dois a quatro anos vindos de frota e de troca por elétrico, o que segura o preço deles.
Perguntas frequentes sobre a queda da combustão
As vendas de carro a combustão caíram em 2026?
Em unidades, cresceram junto com o mercado. Em participação, caíram de cerca de 90% para 78% dos leves entre agosto de 2025 e agosto de 2026, pela conta Fenabrave x ABVE.
Comprar um carro a combustão usado agora: o que pesa?
O usado a combustão desvalorizou menos que o elétrico em 2025 (3,9% contra 12%) e tem oferta grande. A escolha depende do seu uso e de ter onde carregar; a consulta pela placa é a mesma para os dois.
Quantos eletrificados o Brasil tem?
Cerca de 950 mil em agosto de 2026, com a marca de 1 milhão prevista para setembro (ABVE).