A Fórmula 1 voltou à Globo, bateu recorde mundial de audiência com o GP da Inglaterra e chega a Interlagos em novembro com um carro que não existia até este ano. Para quem gosta de carro, 2026 é a temporada mais interessante em décadas, e não só pela pista.
O carro de 2026: metade elétrico, sem DRS
O regulamento novo dividiu a potência em cerca de 50% motor a combustão e 50% elétrico, com o motor elétrico (MGU-K) saltando para a mesma faixa dos 400 kW da parte térmica. O carro ficou menor e mais leve (768 kg contra 800, entre-eixos 20 cm mais curto, pneus mais estreitos), e o DRS acabou: as asas agora se achatam sozinhas nas retas (aerodinâmica ativa) e um "modo ultrapassagem" dá energia extra a quem chega a menos de um segundo do rival.
O combustível é 100% sustentável, sem origem fóssil (resíduos agrícolas, algas ou carbono capturado), e o teor de etanol subiu de 10% para 20%, com a cana brasileira em posição estratégica; a categoria promete cortar até 60% das emissões. Detalhe de preço: cerca de R$ 1.550 o litro.
O grid tem 11 equipes e 22 carros com a chegada da Cadillac (Pérez e Bottas). Audi assumiu a Sauber com motor próprio, Honda foi para a Aston Martin, Ford voltou com a Red Bull, e a Mercedes fornece para McLaren, Williams e Alpine.
Quem está ganhando
Após 14 das 23 etapas (GP da Espanha, 13 de setembro): Kimi Antonelli (Mercedes) lidera com 292 pontos, 81 à frente de George Russell; seguem Hamilton (191), Norris (186), Leclerc (167) e Verstappen (145). Nos construtores, Mercedes (503), Ferrari (358), McLaren (306) e Red Bull (230).
Bortoleto
Gabriel Bortoleto, 21 anos, corre pela Audi e tem 10 pontos (14º), com melhor resultado em 8º na Inglaterra e na Bélgica, onde a equipe aproveitou um safety car virtual para o pit stop. Na Espanha terminou em 13º, a quarta corrida seguida sem pontuar. O contrato com a Audi de Mattia Binotto é plurianual e já vale para 2027. O companheiro Nico Hülkenberg tem 7 pontos.
GP de São Paulo: 6 a 8 de novembro
O Grande Prêmio de São Paulo 2026 é a 21ª etapa, em Interlagos, sem corrida Sprint este ano. Na venda geral, em novembro de 2025, os ingressos (de R$ 495 a R$ 20.900) esgotaram em menos de uma hora; em agosto de 2026 restavam Fanzone (a partir de R$ 290), uma arquibancada e o Senna Club (R$ 24.800), com vendas extraordinárias previstas para outubro. O contrato com a cidade vai até 2030, com R$ 190 milhões de obras no autódromo na primeira fase.
O balanço de 2025 explica a disputa: 303.627 pessoas, primeira vez acima de 300 mil, e R$ 2,3 bilhões de impacto econômico (estudo da FGV com a SPTuris), 23,7 mil profissionais envolvidos, R$ 324 milhões em impostos e R$ 7,14 de retorno para cada R$ 1 investido.
A audiência que voltou
A Globo reassumiu a F1 em 2026 (contrato até 2028, 15 GPs na TV aberta e todos no SporTV). Nas dez primeiras corridas, alcançou 52,8 milhões de pessoas, mais do que a Band em toda a temporada de 2025 (39,3 milhões). O GP da Inglaterra somou 18 milhões de espectadores, a maior audiência de uma corrida em qualquer país desde 2020.
Sete coisas que nasceram na F1 e estão no carro popular
- Freio regenerativo. O KERS de 2009 é o pai da frenagem que recarrega a bateria de todo híbrido e elétrico de hoje.
- Turbo pequeno. O motor 1.0 turbo de Fiesta, Clio e, hoje, de quase todo compacto novo, veio da pista.
- Câmbio com borboletas. Pioneiro na Ferrari do fim dos anos 1980; hoje em Corolla, Nivus e Civic.
- Controle de tração eletrônico, em Onix, Argo, Polo e HB20.
- Célula de sobrevivência, o conceito de habitáculo rígido que orienta o projeto de carros como o Civic.
- Fibra de carbono, do chassi de F1 aos esportivos de rua.
- Aerodinâmica ativa, spoilers e grades que se ajustam com a velocidade, já no Pulse Abarth 2026.
O que mais aproxima a F1 do carro brasileiro, porém, é o combustível: a categoria que sempre correu com gasolina de aviação hoje coloca etanol de cana no tanque, e o resto do mundo está descobrindo o que o motorista brasileiro sabe desde os anos 1980 (etanol ou gasolina).
Os esportivos que o Brasil compra
No primeiro semestre de 2026 (Fenabrave): VW Jetta GLI (826), Porsche 911 (677), Ford Mustang (222), BMW M3 (128), BMW M2 (121), Corvette (114), Audi RS3 (78), MG Cyberster e Porsche Boxster (64 cada). Volume pequeno, mas revenda forte, e, no usado, o mesmo roteiro de qualquer carro: histórico de leilão e sinistro pela placa, porque esportivo bate e é reparado com frequência.
Os brasileiros e o passado que ainda está no tribunal
Senna (3 títulos, 41 vitórias, 65 poles) ganhou uma nova geração de fãs com a minissérie da Netflix, que chegou ao topo global das séries em língua não inglesa dez dias após a estreia. Piquet (1981, 1983, 1987) e Rubinho (322 largadas) completam a tríade. E Felipe Massa segue na Justiça britânica pelo título de 2008: em novembro de 2025 a Alta Corte de Londres rejeitou a maior parte dos pedidos, mas deixou seguir a ação por conspiração; em março de 2026 mandou FIA, FOM e Ecclestone pagarem £250 mil de custas, e em junho a Suprema Corte aceitou julgar o recurso deles, ainda sem data.
Perguntas frequentes sobre a F1 em 2026
Quando é o GP de São Paulo 2026?
De 6 a 8 de novembro, em Interlagos, sem corrida Sprint. Ingressos esgotaram na venda geral; restavam poucos setores em agosto, com venda extraordinária prevista para outubro.
Quem lidera a Fórmula 1 em 2026?
Após o GP da Espanha (13/09): Kimi Antonelli (Mercedes), com 292 pontos, 81 à frente de Russell. Mercedes lidera os construtores.
Como está Bortoleto em 2026?
10 pontos pela Audi, 14º no campeonato, melhor resultado em 8º (Inglaterra e Bélgica), contrato que já vale para 2027.
O que mudou nos carros de F1 em 2026?
Motor 50% elétrico, carro menor e mais leve, fim do DRS com aerodinâmica ativa, modo ultrapassagem e combustível 100% sustentável com 20% de etanol.