Documento do carro perdido: segunda via do CRV, ATPV-e e CRLV-e, o que fazer em cada caso e quanto custa no Detran-SP em 2026
Perdeu o documento do carro? Depende de qual. O CRLV-e se baixa de novo de graça; o antigo CRV verde exige segunda via, que custa R$ 295,83 ou R$ 469,91 no Detran-SP; a ATPV-e é gerada e cancelada pelo portal. Veja o que fazer em cada situação, o que o Detran exige antes, o caso do carro financiado e os cuidados de quem compra um carro cujo documento "sumiu".
Publicado em 23/09/2026 · 7 min de leitura · por Averiga
"Perdi o documento do carro" pode querer dizer três coisas diferentes, e cada uma tem uma solução. Desde 2021 o documento de propriedade deixou de ser impresso e passou a fazer parte de um documento digital; ao mesmo tempo, há carros que ainda circulam com o antigo CRV verde guardado na gaveta. Saber qual papel sumiu é o primeiro passo.
Este guia usa as cartas de serviço do Detran-SP. Em outros estados os nomes e os valores mudam, mas a lógica é a mesma.
Os três documentos, em uma linha cada
Documento
O que é
Se perder
CRLV-e
Documento digital que reúne registro e licenciamento
Baixe ou imprima de novo
CRV físico (o "documento verde")
Documento de propriedade emitido até 2020
Segunda via, que já sai digital
ATPV-e
Autorização para transferência, gerada na hora de vender
Cancele a intenção de venda e gere outra
O Detran-SP explica que, desde 4 de janeiro de 2021, com a digitalização do documento de propriedade (CRV), o antigo "documento verde" deixou de ser impresso: o registro passou a fazer parte do CRLV-e, que reúne registro e licenciamento. O Código de Trânsito permite que o documento de licenciamento seja emitido em meio físico ou digital, à escolha do proprietário (art. 131).
Perdi o CRLV-e
É o caso mais simples. O CRLV-e é um arquivo: pode ser baixado ou impresso de novo pelo portal do Detran-SP ou pelo aplicativo CNH do Brasil, como o próprio Detran indica. Quando impresso, vai em folha A4 branca comum, sem timbre ou marca d'água. Não há segunda via a pedir nem taxa a pagar por isso.
Se você andava com o CRLV-e impresso e ele sumiu junto com a carteira, saiba que ele sozinho não serve para vender o carro, porque a venda depende da ATPV-e gerada pelo proprietário com login gov.br.
Perdi o CRV verde (documento emitido até 2020)
Aqui é preciso pedir a segunda via do documento de propriedade. Pela carta do Detran-SP, o serviço vale para perda, furto, roubo, erro de preenchimento, rasura ou documento danificado. O passo a passo:
Consulte e quite os débitos do carro: IPVA, multas e licenciamento. O Detran-SP exige também que o veículo esteja sem restrições judiciais ou administrativas.
Vá a um posto ou unidade do Detran-SP com os documentos.
Receba o documento digital. A nova via sai em formato digital, como parte do CRLV-e, disponível para download em até 3 dias úteis depois de concluído o processo.
Troca de placas, se quiser. A mudança para o padrão Mercosul pode ser pedida de forma voluntária em outro serviço.
Documentos: identificação do proprietário (digitalizada), CPF se não constar no documento de identidade e comprovante de endereço quando houver mudança de residência no mesmo município.
Quanto custa
Situação
Valor em 2026
Licenciamento do ano já feito
R$ 295,83
Licenciamento do ano ainda não feito
R$ 469,91
E se o carro é financiado em nome de outra pessoa?
A carta do Detran-SP trata desse caso, que aparece em vendas de carro financiado feitas "de gaveta". Com CRV digital (emitido a partir de 4 de janeiro de 2021), o veículo precisa ser transferido para o titular do financiamento, com ATPV-e e firma reconhecida. Com CRV físico extraviado, a primeira via digital com gravame para terceiro dispensa a declaração do financiado, mas depois o carro precisa ser transferido para quem o comprou financiado. O artigo sobre como vender um carro financiado explica por que essa situação aparece.
A ATPV-e é gerada pelo vendedor no portal do Detran-SP, com login gov.br, informando os dados do comprador; depois é impressa em folha A4 branca, assinada pelos dois e levada ao cartório para reconhecimento das firmas por autenticidade. O serviço é gratuito; o reconhecimento de firma é cobrado pelo cartório.
Se a ATPV-e foi preenchida com erro, perdida antes do cartório ou se a venda desandou, o vendedor pode cancelar a intenção de venda diretamente pelo sistema, sem apresentar documentos, e gerar outra. O prazo informado é de 3 dias úteis.
Depois do cartório, a situação é outra: com as firmas reconhecidas por autenticidade, o próprio cartório envia os dados ao Detran-SP e à Fazenda, e a venda fica registrada como comunicação de venda. Por isso o Detran recomenda pedir uma cópia autenticada da ATPV-e: se a comunicação falhar, é ela que resolve. O artigo sobre comunicação de venda detalha esse passo.
Passo a passo: perdi o CRV verde e quero vender o carro
Quem vai vender e descobre que o documento antigo sumiu segue esta ordem, montada a partir das cartas de serviço do Detran-SP:
Quite os débitos do carro e confira se não há restrição judicial ou administrativa.
Peça a segunda via do documento de propriedade no Detran-SP. Ela sai digital, dentro do CRLV-e.
Com o CRLV-e em mãos, gere a ATPV-e no portal, com login gov.br, informando os dados do comprador.
Imprima a ATPV-e em folha A4 branca e assine com o comprador.
Reconheça as firmas por autenticidade no cartório, que comunica a venda ao Detran e à Fazenda.
Peça a cópia autenticada da ATPV-e e guarde-a.
Confirme a comunicação de venda no serviço gratuito do Detran-SP, com CPF, Renavam e placa.
Na prática, a segunda via acrescenta alguns dias e a taxa à venda. Pedir antes de anunciar evita que o comprador espere.
Quem comprou e perdeu o documento antes de transferir
Se você comprou, recebeu a ATPV-e (ou o CRV antigo) assinada e perdeu antes de transferir, o caminho depende do que já foi registrado. Com a comunicação de venda feita pelo cartório, a venda consta no Detran, e o atendimento indica como seguir. Sem ela, será preciso contar de novo com o vendedor para gerar outro documento. É mais um motivo para transferir dentro dos 30 dias que o Código de Trânsito dá ao comprador (art. 123, § 1º). O Detran-SP também recomenda, na transferência de carros de outros estados, guardar o original do CRV ou da ATPV-e até o documento sair em seu nome.
Cuidado de quem compra: o documento que "sumiu"
Na compra de um usado, "perdi o documento, mas depois eu tiro" é uma frase que pede atenção. A segunda via exige débitos quitados e ausência de restrições; um vendedor que não consegue tirá-la pode estar diante de uma pendência que também vai travar a sua transferência. Antes de pagar:
peça que o vendedor tire a segunda via e gere a ATPV-e antes do pagamento;
confira se o nome e o CPF do vendedor são os do proprietário registrado, no CRLV-e baixado na sua frente;
consulte a placa para ver débitos, restrições, gravame e ocorrências de roubo ou furto registrados.
Quanto custa a segunda via do documento do carro em SP?
R$ 295,83 com o licenciamento do ano já feito ou R$ 469,91 com o licenciamento pendente, segundo o Detran-SP. Os débitos do carro precisam estar quitados.
Perdi o CRLV-e. Preciso pedir segunda via?
Não. O CRLV-e é digital e pode ser baixado ou impresso de novo pelo portal do Detran ou pelo aplicativo CNH do Brasil, sem taxa.
Em quanto tempo sai a segunda via do CRV?
No Detran-SP, a nova via sai em formato digital, como parte do CRLV-e, disponível em até 3 dias úteis depois de concluído o processo.
Dá para tirar segunda via com restrição no carro?
Não no Detran-SP: a segunda via exige que o veículo esteja sem restrições judiciais ou administrativas, além dos débitos quitados.
Errei o preenchimento da ATPV-e. E agora?
O vendedor pode cancelar a intenção de venda pelo portal do Detran-SP, sem documentos e sem custo, e gerar uma nova ATPV-e.
Ainda existe o documento verde do carro?
Não é mais emitido desde 4 de janeiro de 2021. Quem tem um CRV verde antigo continua com um documento válido; se perder, a segunda via já sai digital.